Poli cria aplicativo para dimensionar reservatórios de captação de água da chuva

Sistema considera o regime de chuva do local usando informações pluviométricas de bases de dados climáticas como as do CPTEC do INPE.

Pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) criaram um modelo matemático e um software que permite o dimensionamento adequado de reservatórios para captação e aproveitamento da água de chuva. Além de considerar a demanda de consumo e o regime de chuva local, o sistema também estima o tempo de amortização do investimento. O software pode ser usado sob licença por empresas e profissionais de construção civil.

O sistema permite a obtenção de dados pluviométricos do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o que possibilita a realização dos cálculos, explica José Carlos Mierzwa, diretor técnico do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (CIRRA) da Poli e um dos integrantes do grupo de pesquisa. Caso o usuário prefira, pode utilizar dados pluviométricos de outras fontes, mas, neste último caso, terá que inserir manualmente os dados.

“Ao entrar no sistema, o usuário primeiro escolhe o período de chuva e estação meteorológica para obter as informações pluviométricas necessárias, referentes à região na qual pretende construir o reservatório. Depois, define itens como o tamanho da área de cobertura (disponível para captar água), o fator de captação, a variação da demanda de água diária e do volume do reservatório de armazenagem para o projeto”, conta Mierzwa.

O resultado é um gráfico que mostra quanto será captado de água de acordo com o volume do reservatório pensado e a demanda projetada. O sistema permite ver dados mais específicos, como, por exemplo, quanto se aproveita de água de chuva a cada mês, qual a precipitação do ano, quantos dias o edifício ficaria sem água se dependesse só desse sistema de captação, qual o melhor volume de reservatório de acordo com o investimento disponível e o tempo em que se quer recuperar esse investimento etc.

“Como é possível trabalhar com vários cenários – por exemplo, pode-se fazer uma estimativa de maior ou menor demanda –, o profissional que está projetando o reservatório poderá escolher a melhor opção para sua obra, tanto em termos de aproveitamento máximo da água da chuva quanto em relação ao melhor retorno de investimento”, ressalta Mierzwa.

Ponto de partida – A lógica e estrutura de cálculo utilizadas no software já haviam sido desenvolvidas pelos docentes José Carlos Mierzwa e Ivanildo Hespanhol, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHA), e pelo engenheiro Maurício Costa Cabral da Silva. Todos atuam no Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (CIRRA) – Hespanhol é fundador e diretor geral e Mierzwa, diretor técnico. Coube ao estudante de graduação Guilherme Mierzwa, que está no quinto ano de Engenharia Elétrica da Poli – Computação, desenvolver o aplicativo.

“O modelo de cálculo estava em planilha Excell e todos os dados precisavam ser inseridos manualmente”, lembra Mierzwa. “O maior desafio foi fazer a interligação entre o aplicativo e o banco de dados do CPTEC e de outras instituições que disponibilizam dados pluviométricos para que os dados selecionados pelos usuários fossem utilizados pelo aplicativo”, acrescenta.

Além da vantagem de se ter um reservatório dimensionado corretamente, o software propicia uma economia de tempo significativa na elaboração do projeto. “Os cálculos de dimensionamento de um projeto que fiz para a construção de um reservatório da prefeitura de Itanhaém, no litoral paulista, levou quatro horas. Com o aplicativo, eu não gastaria mais de 10 minutos”, finaliza.

O software, intitulado CAPCHU – Captação de Água de Chuva, obteve registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em janeiro deste ano. Mais informações: http://biton.uspnet.usp.br/cirra/